Intervenção dos EUA na Venezuela Redefine o Mercado Global de Petróleo e Pressiona a Petrobras

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Intervenção dos EUA na Venezuela Redefine o Mercado Global de Petróleo e Pressiona a Petrobras

A geopolítica global foi abruptamente redefinida nesta segunda-feira, 05 de janeiro de 2026, após a ação militar dos Estados Unidos que culminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O evento, que marca um precedente inédito de intervenção direta em um país sul-americano, gerou uma onda de **volatilidade** nos mercados internacionais, com o dólar abrindo em leve alta e as ações da Petrobras registrando queda na B3. A vice-presidente Delcy Rodriquez assumiu o governo em Caracas, e o presidente americano, Donald Trump, já sinalizou a expectativa de cooperação para a abertura da indústria petrolífera venezuelana ao capital privado estrangeiro. Analistas, como Antonio Corrêa de Lacerda, professor-doutor em economia da PUC-SP, alertam que a intervenção fere a soberania nacional e os preceitos do multilateralismo, introduzindo um **prêmio de risco** significativo nos ativos financeiros brasileiros.

Oportunidade e Risco: Quem Ganha e Quem Perde com a Mudança Estrutural

A Venezuela, detentora da **maior reserva de petróleo do mundo**, torna-se o epicentro de uma **mudança estrutural** no mercado de commodities. A expectativa de que o controle americano resulte em uma maior oferta estrutural de petróleo bruto pesado no mercado global tende a exercer uma **pressão de baixa** sobre o preço do barril no médio prazo. Dan Kawa, sócio da We Capital, aponta que o controle do setor de petróleo venezuelano pelos EUA pode resultar em mais oferta e menor volatilidade, aumentando a previsibilidade do fornecimento. Contudo, essa mesma perspectiva **ameaça** as margens de lucro de outras petroleiras. No Brasil, as ações preferenciais (PN) da Petrobras cederam 0,39%, enquanto outras empresas do setor, como Prio e Brava, recuaram 2,06% e 4,50%, respectivamente, refletindo o temor de um excesso de oferta no mercado. A Chevron, única empresa norte-americana a operar na Venezuela, é vista como a principal beneficiada, com suas ações subindo 6,44% na Bolsa de Nova York.

A Consequência Futura Clara: Volatilidade Cambial e o Papel da Opep+

No curto prazo, a incerteza geopolítica favoreceu ativos de proteção. O ouro subiu 2,5% e a prata 5,5% no mercado internacional, enquanto o dólar no Brasil chegou a ser cotado a R$ 5,443, uma alta de 0,35% nas primeiras horas do pregão. A **consequência futura clara** é a manutenção da volatilidade cambial e a reavaliação das estratégias da Opep+. A decisão do cartel de manter pausados os incrementos de produção no primeiro trimestre de 2026 ajudou a conter uma alta ainda maior do petróleo no calor da notícia. No entanto, a potencial adição do petróleo venezuelano à oferta global **pressiona** a Opep+ a reavaliar seus cortes. Para o Brasil, a Petrobras pode ser favorecida por novas oportunidades de exploração na Venezuela, conforme apontado pelo diretor-geral da ANP, Artur Watt Neto, mas o cenário geral é de cautela, com o mercado monitorando de perto a duração e o grau da intervenção norte-americana e seus **impactos econômicos** de longo prazo.